07 dezembro, 2017

Professor tem papel fundamental no combate ao bullying

Ação ativa do educador é essencial para evitar que a violência aumente nas salas de aula


O bullying é uma pauta importante e bastante recorrente no meio da educação. As instituições de ensino juntamente com seus profissionais (diretores, coordenadores, professores) e também o Ministério da Educação, vêm trabalhando de diversas maneiras para combater essa prática negativa. E esse é um trabalho a ser realizado continuamente.

A violência presente nas escolas ocorre de forma repetida e intencionalmente, com agressões físicas e psicológicas, resultando em uma situação de muito desequilíbrio de poder entre o agressor e a vítima. Via de regra o agredido se cala por vergonha ou medo e faz com que a outra pessoa (a que provoca a violência) fique à vontade para continuar a violência.

A escola é o ambiente onde ocorrem uma das primeiras socializações do indivíduo, por isso sua importância, não somente na educação de conhecimentos de matemática, física, biologia; mas também na formação de valores e crenças de cada um. É na escola que o aluno se reconhece como agente social, aprendendo direitos, deveres, respeito ao coletivo, respeito ao próximo e suas diferenças.

Combater a violência

Uma das funções do ambiente escolar é promover o bem-estar dos alunos e o professor é peça fundamental dentro desse processo. Além da aprendizagem, o professor é figura de referência para auxiliar no combate de atitudes violentas, bem como evitar situações que se tornem propícias para que ocorra o bullying.



Saber que a prática existe e de que forma ela se manifesta é primordial para a prevenção da violência. A Plan (Organização não-governamental, não-religiosa e apartidária que defende os direitos das crianças, adolescentes e jovens) realizou uma pesquisa em 2009, onde mostra que 50% dos casos de bullying ocorrem em sala de aula. O estudo também aponta que 68% dos casos acontecem na presença do professor. Por isso, é essencial uma postura firme do profissional, pois sua atividade positiva ou negativa poderá servir de exemplo. O convívio na escola é ponto importante já que muitos alunos passam mais tempo com professores e colegas do que com a própria família.

Como acontece o bullying

Uma das primeiras e eficazes iniciativas que poderão combater a prática, é entender esse tipo de ataque. No dia a dia das salas de aula, o profissional se depara com inúmeras atitudes dos estudantes que, muitas vezes, são julgados como falta de disciplina, sendo assim, não recebendo a atenção necessária.

De acordo com o livro Fenômeno bullying: como prevenir a violência nas escolas e educar para a paz, de Cléo Fante (a maior especialista no assunto no Brasil), há tipos diferentes de agressões:

Física: bater, empurrar, perseguir, amedrontar

Verbal: insultar, ofender, falar mal, colocar apelidos pejorativos.

Material: roubar, extorquir ou destruir os pertences da vítima.

Psicológica e moral: humilhar, excluir, chantagear, intimidar, difamar.

Sexual: abusar, violentar, assediar, insinuar

Virtual ou Ciberbullying: É a divulgação e/ou realização de agressões por meio de ferramentas tecnológicas. (celulares, filmadoras, redes sociais da internet, sites de vídeos, etc).

Vítima X agressor

É possível considerar alguns comportamentos padrões em crianças e adolescentes que sofrem bullying na escola. As vítimas tendem a perder a vontade de ir para a aula e começam a criar desculpas para faltar. No intervalo, preferem ficar isolados, fugindo de momentos sociais com os demais alunos.

Algumas vítimas são inseguras, quietas e submissas. Elas vão perdendo a autoestima, criando uma péssima imagem pessoal, porém não se tornam agressivas. Esse perfil, chora ou se afasta quando agredidos. Existe também o outro perfil que irá perpetuar o bullying, ele sofre a agressão e no futuro pratica com outras crianças.

A maioria dos alunos que praticam o bullying, são os primeiros a fazerem piadas, são mais impulsivos, querem dominar e tendem a ter mais autoconfiança. Há um ponto necessário para prestar atenção: o bullying acontece em sua maioria em grupo. Quando algum agressor faz a chacota, sempre há um grupo atrás apoiando, rindo e(ou) aplaudindo. Esses agentes são chamados de agressores secundários, eles não iniciam as agressões, porém as dão suporte, incentivam.

O professor deve estar atento aos perfis dos alunos, aos seus comportamentos e também realizar uma autoanálise de como ele se porta perante a turma, já que acaba sendo ponto de referência para essas crianças. Para identificar situações de bullying, o profissional deverá estar conectado com esses alunos, como forma de prevenir a violência e incentivar uma cultura de paz.

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